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Palavras: escamas da memória

É interessante como uma palavra desperta toda uma vida adormecida, toda uma memória encrustada nas profundezas de um quase esquecimento. A palavra? TALHADA. Não essa do verbo talhar. Ou seria entalhar? O contato com a literatura portuguesa e, consequentemente, com esse idioma comum, me fez, dentro de alguns segundos, teleportar, de um país europeu presente nas páginas de um livro, para um Brasil da década de 90, quando eu ouvia meus pais e avós me oferecerem uma "taiada" de melancia. E essa, sim... Essa é a palavra "correta": TAIADA. A marca da oralidade sempre recheia com maior carga semântica qualquer palavra. Não tenho certeza se a memória é realmente essa, mas me convém que seja, pois ela não tem nenhuma espécie de azedume traumático. Mas voltemos à palavra. Talhada tem sim relação com os verbos talhar e entalhar. Mas não me refiro ao particípio do verbo talhar, me refiro ao substantivo "talhada", o mesmo que fatia ou pedaço. A viagem espaço-temporal ...